sábado, agosto 13, 2005

Primavera, Vales e Montes..., Floresta Quinta

Vai o rio de monte a monte,
Como passarei sem ponte?

É o vau mui arriscado,
Só nele é certo o perigo;
O tempo como inimigo
Tem-me o caminho tomado.
Num monte está meu cuidado,
E eu, posto aqui noutro monte,
Como passarei sem ponte?

Tudo quanto a vista alcança
Coberto de vales vejo:
D'aquém fica meu desejo
E d'além minha esperança.
Esta, contínua, me cansa
Porque está sempre defronte:
Como passarei sem ponte?

- Francisco Rodrigues Lobo