terça-feira, Julho 20, 2010

E assim acaba

O Eclético acaba aqui a sua peregrinação pela blogosfera ao longo de 7 anos.

7 anos em que muito aconteceu. Em que o mundo mudou radicalmente para pior.
Foram 7 anos a tentar acordar consciências, espero sentidamente que tenha conseguido minimamente fazê-lo.

Muitos foram os amigos e conhecidos.
Uns ainda estão, mas o mais pujante, mais presente e interveniente já partiu.
A ti amiguinho: obrigada por teres partilhado desta peregrinação.

Até sempre
Muita Luz, Paz e Amor é o que desejo a todos
E, façam o favor a vós próprios: sejam conscientes

segunda-feira, Julho 19, 2010

Escravatura transvestida em democracia e o veto silencioso

Hoje foi divulgado o ante-projecto de revisão constitucional do PSD.

A pouca vergonha vai fundo. Aquilo que colocam em cima da mesa vai muito além do que pode ser admitido mesmo em países onde vigora a ditadura.

PS, PSD, e todos os restantes partidos, merecem-se uns aos outros, e estão uns para os outros na medida do saque ao cidadão português contribuinte.
Todos eles chafurdam na mesma pocilga, e são sustentados pela mesma sra de má fama que os alimenta a todos: o Grande Irmão Estado; esse Porco grande e balofo.

Votar em qualquer deles, é dar dinheiro para eternizarem o estado das coisas.
Não pertendo votar.
E muito menos candidatar ao que seja, ainda que independente.
Nunca e Sempre são palavras longas, mas esta é a minha decisão:
nunca mais votar ou candidatar-me.

Está na hora de Portugal mudar: acabem com os partidos políticos.
Quando acabarem com os partidos políticos, acabarão com as pustúlas que prosperam e crescem à sua sombra.

quarta-feira, Junho 16, 2010

E apesar de tudo ...

... a doce vingança reside no facto de a verdade, mais cedo ou mais tarde, acabar por saber-se.

A VERDADE DA HISTÓRIA CHEGA SEMPRE TARDE!

Uma vergonha para todos nós...

Domingo, 13 de Abril de 2008

"Angola é nossa !
Holocausto em Angola' não é um livro de história. É um testemunho. O seu autor viu tudo, soube de tudo.

Só hoje me chegou às mãos um livro editado em 2007, Holocausto em Angola, da autoria de Américo Cardoso Botelho (Edições Vega). O subtítulo diz: 'Memórias de entre o cárcere e o cemitério'.

O livro é surpreendente. Chocante. Para mim, foi. E creio que o será para toda a gente, mesmo os que 'já sabiam'. Só o não será para os que sempre souberam tudo. O autor foi funcionário da Diamang, tendo chegado a Angola a 9 de Novembro de 1975, dois dias antes da proclamação da independência pelo MPLA. Passou três anos na cadeia, entre 1977 e 1980. Nunca foi julgado ou condenado. Aproveitou o papel dos maços de tabaco para tomar notas e escrever as memórias, que agora edita.

Não é um livro de história, nem de análise política. É um testemunho. Ele viu tudo, soube de tudo. O que ali se lê é repugnante. Os assassínios, as prisões e a tortura que se praticaram até à independência, com a conivência, a cumplicidade, a ajuda e o incitamento das autoridades portuguesas. E os massacres, as torturas, as exacções e os assassinatos que se cometeram após a independência e que antecederam a guerra civil que viria a durar mais de vinte anos, fazendo centenas de milhares de mortos.

O livro, de extensas 600 páginas, não pode ser resumido. Mas sobre ele algo se pode dizer.
O horror em Angola começou ainda durante a presença portuguesa. Em 1975, meses antes da independência, já se faziam 'julgamentos populares', perante a passividade das autoridades. Num caso relatado pelo autor, eram milhares os espectadores reunidos num estádio de futebol. Sete pessoas foram acusadas de crimes e traições, sumariamente julgadas, condenadas e executadas a tiro diante de toda a gente. As forças militares portuguesas e os serviços de ordem e segurança estavam ausentes. Ou presentes como espectadores.


A impotência ou a passividade cúmplice são uma coisa. A acção deliberada, outra. O que fizeram as autoridades portuguesas durante a transição foi crime de traição e crime contra a humanidade.

O livro revela os actos do Alto-Comissário Almirante Rosa Coutinho, o modo como serviu o MPLA, tudo fez para derrotar os outros movimentos e se aliou explicitamente ao PCP, à União Soviética e a Cuba. Terá sido mesmo um dos autores dos planos de intervenção, em Angola, de dezenas de milhares de militares cubanos e de quantidades imensas de armamento soviético. O livro publica, em fac simile, uma carta do Alto-Comissário (em papel timbrado do antigo gabinete do Governador-geral) dirigida, em Dezembro de 1974, ao então Presidente do MPLA, Agostinho Neto, futuro presidente da República.

Diz ele: 'Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do plano. Não dizia Fanon que o complexo de inferioridade só se vence matando o colonizador? Camarada Agostinho Neto, dá, por isso, instruções secretas aos militantes do MPLA para aterrorizarem por todos os meios os brancos, matando, pilhando e incendiando, a fim de provocar a sua debandada de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos para desanimar os mais corajosos. Tão arreigados estão à terra esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir. A FNLA e a UNITA deixarão assim de contar com o apoio dos brancos, de seus capitais e da sua experiência militar. Desenraízem-nos de tal maneira que com a queda dos brancos se arruíne toda a estrutura capitalista e se possa instaurar a nova sociedade socialista ou pelo menos se dificulte a reconstrução daquela'.
Estes gestos das autoridades portuguesas deixaram semente. Anos depois, aquando dos golpes e contragolpes de 27 de Maio de 1977 (em que foram assassinados e executados sem julgamento milhares de pessoas, entre os quais os mais conhecidos Nito Alves e a portuguesa e comunista Sita Valles), alguns portugueses encontravam-se ameaçados. Um deles era Manuel Ennes Ferreira, economista e professor. Tendo-lhe sido assegurada, pelas autoridades portuguesas, a protecção de que tanto necessitava, dirigiu-se à Embaixada de Portugal em Luanda. Aqui, foi informado de que o vice-cônsul tinha acabado de falar com o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Estaria assim garantido um contacto com o Presidente da República. Tudo parecia em ordem. Pouco depois, foi conduzido de carro à Presidência da República, de onde transitou directamente para a cadeia, na qual foi interrogado e torturado vezes sem fim. Américo Botelho conheceu-o na prisão e viu o estado em que se encontrava cada vez que era interrogado.
Muitos dos responsáveis pelos interrogatórios, pela tortura e pelos massacres angolanos foram, por sua vez, torturados e assassinados.

Muitos outros estão hoje vivos e ocupam cargos importantes. Os seus nomes aparecem frequentemente citados, tanto lá como cá. Eles são políticos democráticos aceites pela comunidade internacional. Gestores de grandes empresas com investimentos crescentes em Portugal. Escritores e intelectuais que se passeiam no Chiado e recebem prémios de consagração pelos seus contributos para a cultura lusófona.

Este livro é, em certo sentido, desmoralizador. Confirma o que se sabia: que a esquerda perdoa o terror, desde que cometido em seu nome. Que a esquerda é capaz de tudo, da tortura e do assassinato, desde que ao serviço do seu poder. Que a direita perdoa tudo, desde que ganhe alguma coisa com isso. Que a direita esquece tudo, desde que os negócios floresçam. A esquerda e a direita portuguesas têm, em Angola, o seu retrato. Os portugueses, banqueiros e comerciantes, ministros e gestores, comunistas e democratas, correm hoje a Angola, onde aliás se cruzam com a melhor sociedade americana, chinesa ou francesa.
Para os portugueses, para a esquerda e para a direita, Angola sempre foi especial. Para os que dela aproveitaram e para os que lá julgavam ser possível a sociedade sem classes e os amanhãs que cantam. Para os que lá estiveram, para os que esperavam lá ir, para os que querem lá fazer negócios e para os que imaginam que lá seja possível salvar a alma e a humanidade.

Hoje, afirmado o poder em Angola e garantida a extracção de petróleo e o comércio de tudo, dos diamantes às obras públicas, todos, esquerdas e direitas, militantes e exploradores, retomaram os seus amores por Angola e preparam-se para abrir novas vias e grandes futuros. Angola é nossa! E nós? Somos de quem?"

- António Barreto

Um Homem que cada vez mais admiro.

quinta-feira, Junho 10, 2010

Dia de Portugal

Hoje é o Dia dedicado à comemoração de um País.
Deste País; à comemoração de Portugal: mais do que um País, um Projecto, um Ideal.
Um sentir, que devia ser, colectivo.
Um orgulho de pertença a este nosso território, cultura, hábitos e costumes comuns.
Há que reavivar este sentir.

Salve, berço do nome lusitano!
Nesta manhã solene.
Que, em volver de ano e ano,
Jamais acabará que a apague o tempo
Da saudosa memória;
Nesta manhã de glória
A ti veio, a ti venho, asilo santo
Da lusitana antiga liberdade.

Tuas lobregas cavernas
Me serão templo augusto e sacrossanto,
Aonde da Razão e da Verdade
Celebrarei a festa.

Ouça-me o vale, o outeiro,
Escute-me a floresta
Aonde do seguro azambujeiro
Seus cajados cortavam
Os pastores de Luso,
Que a defender a pátria e a liberdade
Nesses tempos bastavam
De honra e lealdade.


- Almeida Garrett, Viriato

sexta-feira, Junho 04, 2010

Uma questão de justiça

O Espelho Íntimo, poesia de Torquato da Luz, encontra-se em 1º lugar nas vendas da Livraria Barata, Av. de Roma.

Muitos parabéns a Torquato da Luz
É uma questão de justiça, tal facto, pois a sua poesia é Luz e Música para a Alma

Um espelho que devolva por inteiro
a imagem da alma, aquele lado
da vida que devia estar primeiro.
Um espelho luminoso e desenhado
à medida das íntimas certezas
que tanto se constroem das tristezas
como irrompem por entre as alegrias
a temperar de sal os nossos dias.

Um espelho posto à porta da entrada
da casa que inventámos para os dois,
fiel reflexo que não esconda nada
nem seja mau agoiro depois.

quarta-feira, Junho 02, 2010

Rosa Coutinho

Morreu.

Farão amanhã 35 anos da nossa chegada a Portugal.
A minha Mãe, a minha irmã e eu.
Uma fuga a coberto da noite. A coberto do mais profundo bréu.
Uma fuga com início a 26 de Maio e termo a 03 de Junho .........
O meu Pai ainda ficou mais 1 mês e meio .....................................
Angola fervia.
Aquando da nossa paragem/escala no aeroporto de Luanda, para fazer entrar mais mulheres e crianças dos funcionários da Companhia, entraram não só os destinatários, mas todas as mulheres e crianças, outros, que estavam desesperados e acampados em pleno aeroporto.
Os rockets passavam por cima e ao lado do avião.
Dentro parecia um Jardim Zoológico, com os bichos de estimação dos miúdos; menos o meu, que exigiram que ficasse, ele o meu gato.

Cá, não foi melhor.

(Emprestadado do Nuno Castelo-Branco entretanto corrigido)

E como um dia todos morreremos, os traidores abjectos não são excepção.

(Também no A Revolta)

domingo, Maio 23, 2010

Que bonita lição

Grand nettoyage

Esta é a medida da maturidade de um Povo


Constante e verdadeiro serviço público de Miguel Castelo-Branco, no seu Combustões

Fico satisfeita em saber que está bem depois da recente convulsão pseudo rouge em Bangkok