quinta-feira, janeiro 29, 2004

Projecto em 3 Actos

Projecto em três actos

Elaborado pela mão da própria Graça Carvalho, actual ministra da Ciência e do Ensino Superior, quando ainda era responsável pelo GRICES, o projecto agora aceite pela ESA é composto por três fases. A curto prazo, nasce o Centro de Rastreio e Telemetria – e embora as obras só estejam prontas dentro de um ano e meio, em breve a ESA deverá instalar um centro móvel para controlar um lançamento a partir de Kourou agendado para 2005.

A fase seguinte, menos apregoada, consiste na criação de um Centro de Observação da Terra para estudos dos oceanos e das florestes, que será uma preciosa ajuda no combate aos incêndios e à poluição nos mares.

A terceira fase, mais vistosa, será então tornar Santa Maria um local de lançamento da nova geração de foguetões para transporte de satélites. Para 2007 está já agendado o envio experimental de cargas para a Estação Espacial Internacional feito a partir da ilha de Santa Maria. Em 2015, aquele deverá ser o único lugar do mundo de onde irão partir lançadores supersónicos reutilizáveis.


É excelente que, por fim, Portugal considere e haja, por forma a captar para o país mais-valias 'espaciais'.
Relativamente, à primeira e segunda fase do Projecto nada a opor, contudo, em relação à terceira fase: criar um local para lançadores, há.
Embora se trata de uma ilha, como referido, ultraperiférica, a ilha tem habitantes, bem assim como está enquadrada num grupo de outras ilhas - arquipélago dos Açores e contíguo ao da Madeira.
A poluição causada pelos lançadores, bem assim como (esperando nunca tal suceder) a possibilidade de acidentes, deveria merecer maior ponderação.
Sempre fui em considerar que uma localização óptima para criação de locais terrestres de lançamento, não só pela sua posição excelente (grau zero), mas também pela sua "deslocalização" humana é em São José dos Campos - Brasil.
A possibilidade de constituição de protocolos para o efeito já foi estudada (em 1990), os brasileiros não só vêem com grande interesse tal possibilidade, como permitiriam o estabelecimento de relações de cooperação entre a ESA e o Brasil - uma relação estratégica e tecnológica.